Claudia Bakker

"As fotos e cromos de Claudia Bakker parecem reter um tempo transcorrido. Se por sua própria natureza a imagem fotográfica indica o tempo através de referências de espaço,nestas obras a imagem se potencializa através da transitividade do sentido verbal entre os elementos plásticos que a integram. A cena fotografada de instalação recentemente apresentada no Museu do Açude, pela artista: um buquê de copos de leite mergulhado em tinta branca, repete-se em diferentes suportes. Flores sobre leite, branco sobre branco. A suposição seria a de que a migração da imagem por diferentes suportes bastaria para suscitar deslocamentos de sentido, excedendo a materialidade do objeto. Deste modo, qualidades distintas do branco transporiam o campo designativo da cor. A remissão a uma estrutura narrativa levaria à expansão poética do cromatismo. Há uma aproximação entre elementos plásticos - cor, forma, extensão e luminosidade -, e os do discurso, articulando a imagem, que é por definição polisssêmica, à estrutura binária do texto. Qualidades outras transbordariam os limites cromáticos do branco ou ao menos sugeririam a superação de sua potência. Na contraface do tema e do caráter efêmero dos materiais, as obras recentes de Claudia Bakker integram a natureza ambígua da imagem e a estrutura do discurso. O sentido não só emerge da distância temporal entre a cena registrada e as imagens fotográficas exibidas, como também move-se deixando seu rastro nos intervalos de cor, espaço e luz, da opacidade do papel à transparência do cromo."
Luiza Interlenghi / 1997
© claudia bakker