Claudia Bakker

Ausência é a motivação atual da produção de Claudia Bakker e título da exposição que apresenta na Fundação Medeiros e Almeida durante o mês de março. Éum trabalho que trata da dualidade entre presença e ausência. Entre aquilo que desaparece num lugar para reaparecer de outra forma noutro. Jean Baudrillard no seu livro América, observa que o que desaparece na Europa reaparece na América. Existe uma necessidade do homem ocidental de se reencontrar com a fisicalidade das coisas, com seus mitos mais arcaicos, que renasce, assim, no mundo novo, nas Américas, num contínuo diálogo com a antiga civilização europeia.

Claudia percebe que ao pensar a ausência é possível encontrar uma outra presença no avesso das coisas do mundo, que a ausência é também uma forma de pulsão vital. Assim, ela retira da coleção da Fundação pinturas e objetos com motivos de natureza morta, fazendo com que essa ausência se relacione com a matéria bruta, real e orgânica das maçãs, do mármore e das fotografias, criadas especialmente para essa exposição e que podem ser vistas na sala de exposição temporária.

Claudia Bakker é uma artista carioca, nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, e vem ao longo de 20 anos trabalhando com as noções de efemeridade e permanência. As suas instalações com maçãs desafiam a efemeridade do tempo ao contrapor com um material orgânico outros materiais que possuem uma duração maior, como o mármore, a fotografia ou a película, e recentemente tem incluído a pintura nas suas composições. A documentação é parte constituinte do seu trabalho, onde a imagem tratada como memória é uma constante, como pode ser visto na série que ela denomina de Fototextos onde inscrições em textos e números aparecem como referência nas quantidades e motivações poéticas utilizadas na construção das suas instalações ou intervenções no espaço.

© claudia bakker