Claudia Bakker

Para Claudia Bakker, muitos trabalhos novos são desdobramentos de obras anteriores. É por isso que suas primeiras instalações, feitas nos anos 1990, no Museu do Açude, ecoam ainda hoje em sua produção. Nos últimos três meses, ela tem se debruçado sobre fotos de seus primeiros projetos.

E, assim, os 3.000 litros de tinta branca e os muitos copos-de-leite que ela usou para realizar a obra "Via Láctea", em 1996, no Açude, reaparecem agora nas criações de sua próxima individual, prevista para o dia 24, na galeria Anita Schwartz.

Claudia parte dos registros daquela instalação para criar uma segunda obra, fotográfica, que, segundo ela, "pode perdurar no tempo".

- Minhas instalações são efêmeras, são os registros. São eles que enfim, desencadeiam outros trabalhos, outros textos e pensamentos para novas obras - explica a artista.

Ao todo, ela vem preparando quatro grandes composições, uma delas a partir das instalações que um dia mostrou no Museu do Açude. Ela também prepara trabalhos como um livro todo perfurado, em referência a Lucio Fontana, cujo nome dá titulo à exposição ("Um encontro entre poetas e pintores").

Já as composições, principais trabalhos em gestação no ateliê da artista, mesclam pintura e fotografias. Assim, os copos-de-leite mergulhados em tinta branca devem resurgir como grandes fotografias na exposição programada para o fim deste mês.

-Tenho também como referência a instalação com maçãs (exposta pela primeira vez no Museu do Açude, em 1994), que por vezes mistura materiais como mármore, discutindo a relação da vida e da morte, do efêmero e do permanente - diz ela.

Tanto nas fotos como quanto nas instalações que dão origem às novas criações, fica evidente o gosto da artista pela natureza como tema.

- É um assunto muito presente para mim. Acredito que, para buscar inspiração, um artista não pode apenas recorrer a livros ou museus, mas precisa ter um contato solitário com a natureza - diz. - É importante olhar o céu e pensar em como você se posiciona no mundo.

Em toda a sua produção, é recorrente o tema do tempo - seja o efêmero, das instalações criadas para exposições de duração definida, seja o duradouro, das fotografias e dos registros que alimentam a trajetória da artista por prazo indeterminado.

© claudia bakker