Claudia Bakker

Anita Schwartz Galeria de Arte apresenta a partir de 18 de janeiro de 2012 para convidados, e do dia seguinte para o público, a exposição "A primeira do ano", que ocupará todo o espaço expositivo da galeria com obras de 21 importantes artistas brasileiros: Abraham Palatnik, Ana Holck, Ana Linnemann, Angelo Venosa, Artur Lescher, Carla Guagliardi, Carlos Zilio, Celia Euvaldo, Claudia Bakker, Daisy Xavier, Estela Sokol, Everardo Miranda, Fernanda Quinderé, Gustavo Speridião, José Paulo, Marco Veloso, Nuno Ramos, Roberto Lacerda, Suzana Queiroga, Wagner Morales e Waltercio Caldas.

A exposição reúne esculturas, fotografias e objetos, em diferentes materiais, técnicas e suportes, sendo muitos inéditos. Em comum, o fato de serem múltiplos, ou seja, de possuírem uma tiragem limitada, que varia de 3 a 200 exemplares. As obras de Ana Holck, Ana Linnemann, Angelo Venosa, Gustavo Speridião, Marco Veloso, Estela Sokol, Everardo Miranda, Fernanda Quinderé e Suzana Queiroga foram feitas especialmente para esta exposição.

"A idéia da exposição surgiu ao verificarmos uma crescente demanda por peças múltiplas, de valor mais acessível, não somente para os que estão iniciando suas coleções, como também para aqueles que já freqüentam as galerias e exposições há mais tempo. É uma oportunidade para se adquirir uma obra de um artista já consagrado e estabelecido no mercado", explica Anita Schwartz.

ARTISTAS E OBRAS

"Parecidos", o múltiplo da artista Carla Guagliardi, pertence a uma série chamada "Respiros", que apresenta situações de instabilidade e vulnerabilidade em diferentes ordens.

Terceiro par de uma série, a peça "Bordadinhos Modernistas 8 & 9", de Ana Linnemann, relaciona a atividade de bordar à linguagem geométrica do modernismo.

A escultura de Estela Sokol dá continuidade a sua pesquisa na qual o eixo central é a questão pictórica. Não só pela tridimensionalidade da cor mas também pela expansão da pintura. Esta nova série leva o mesmo nome das pinturas de pvc sobre chassis "A cor é que se faz cor na asa da borboleta", título extraído de um poema de Alberto Caeiro, um dos heterônomos de Fernando Pessoa.

As fotografias de Daisy Xavier, realizadas durante uma residência em Varsóvia em 2008, registram prédios e paisagens marcantes da cidade. "A mão e a paisagem se misturam criando um corpo estranho. Isso dá continuidade a uma insistente tentativa de criar um corpo com novos limites e com escalas distorcidas. Novos limites para um corpo e escalas para eu ser diferente de mim mesma", explica.

Na obra de Ana Holck, um bloco de concreto é o ponto de partida para o desdobramento de sua forma numa escultura em acrílico articulado que recobre o bloco, arqueando-se sobre ele. O múltiplo é uma tiragem de dez exemplares e foi realizado a partir do site-specific apresentado na exposição "Lost In Lace", na Inglaterra, em outubro de 2011.

A série de cartazes de Gustavo Speridião chamada "Retratos de Combatentes" é uma narrativa política. A série de cinco cartazes retrata pessoas de "diversas frentes": Rimbaud, Maiakóvski, Lucio Fontana, Carlos Zilio e Angelina Jolie. A série foi retirada de um trabalho anterior do Gustavo, o livro "The Great Art History" (Gustavo Speridião, 2005), no qual o artista escreveu com tinta em cima de cada uma das 608 páginas do livro "The Great LIFE Photographers" (Thames e Hudson). Estas páginas expropriadas e ressignificadas são uma narrativa poética sobre cultura e luta de classes. "Este livro é um objeto de escala industrial que utiliza qualquer forma gráfica para transmitir seu conteúdo: livro, cartaz, site, panfleto, convite, postal, fotografia, gravura etc. em uma constante metamorfose", afirma o artista.

© claudia bakker