Claudia Bakker

Fabrica ASA - 2 filmes de Claudia Bakker, Guimarães Capital européia da cultura 2012 - Guimarães, Portugal.

Dois filmes sobre a instalação o tempo de todos nós:

Os trabalhos da artista Claudia Bakker tratam, em geral, da dicotomia entre efemeridade e permanência. Esses dois filmes sintetizam bem essas questões. Ambos foram realizados, nesse ano, a partir de uma instalação feita com 750 maçãs e dois cardumes de peixes cometas, numa fonte do Museu Nacional Soares dos Reis, na cidade do Porto. A artista trata da experiência do tempo, e da duração da instalação, através da documentação que realiza, em fotografia e em filme. Nesses dois filmes, ela lida com a extensão do tempo, tema recorrente em sua obra, transformando as imagens captadas em um passado mais longínquo, lidando com uma dimensão de um tempo "distendido". Suas imagens e poética, estabelecem relações com a arte conceitual, e vem contribuindo para o pensamento e a reflexão estética contemporânea.

"Na década de 90, a remissão dos títulos espelha, nitidamente a predominância de uma axiologia mítico-simbólica. Como n'O jardim do Éden e o sangue da Górgona / Museu do Açude, 1994. Esse vaivém entre o fora e o dentro, em lugares onde domina a natureza ou em edifícios centrícos de uma grande cidade, será uma analogia ao interior e exterior do próprio indivíduo, organizando-se enquanto todo. Um viajar entre tempos, cúmplice desse vaivém entre lugares e pensamento, pois o que foi a ação, implica a autora, os elementos na natureza e acusando a inevitável efemeridade de seres e coisas. O tempo agudiza-se e perpetua-se. Passando de ação/ato a obra que é objeto estético, mediante o conceito e decisão, finaliza-se em imagem (enquanto registro, como se referiu antes). A ideia de documentação da ação ou da performance na arte contemporânea possui uma validação que, para alguns e porventura, seja algo inquietante, pois nos coloca perante a incontornável passagem do tempo que luta pela permanência da imagem remanescente."

(Extraído do texto da curadora Maria de Fátima Lambert sobre a instalação de Claudia Bakker no Museu Nacional Soares dos Reis, Porto, 2012)

© claudia bakker